cover
Tocando Agora:

Professor de MT reaprende a falar e andar após mais de 100 dias internado

Após duas paradas cardíacas, o professor de Matemática Ilton Silva Pimentel, de 56 anos, precisou reaprender a falar, caminhar e se alimentar Arquivo pessoal...

Professor de MT reaprende a falar e andar após mais de 100 dias internado
Professor de MT reaprende a falar e andar após mais de 100 dias internado (Foto: Reprodução)

Após duas paradas cardíacas, o professor de Matemática Ilton Silva Pimentel, de 56 anos, precisou reaprender a falar, caminhar e se alimentar Arquivo pessoal O professor de Matemática Ilton Silva Pimentel, de 56 anos, precisou reaprender a falar, caminhar e se alimentar após enfrentar complicações respiratórias que exigiram uma traqueostomia e mais de 100 dias de internação. Morador de São Félix do Araguaia, a 1.159 km de Cuiabá, ele ficou no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso entre 15 de abril e 4 de setembro. Em entrevista, Ilton contou que ficou desacordado antes de ser transferido para o Hospital Central. Segundo ele, familiares relataram que permaneceu sedado por quatro dias e que, nesse intervalo, sofreu duas paradas cardíacas. O professor disse que só voltou a acordar já na unidade, em Cuiabá. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Cinco dias depois de chegar ao hospital, Ilton tentou se levantar e percebeu que não conseguia. A dificuldade também apareceu em atividades como falar e se alimentar, que precisou recuperar durante a internação. “A maior dificuldade foi a paciência comigo mesmo. Tinha dia que eu queria avançar, mas não conseguia, e isso me frustrava muito. Uma conquista foi poder cortar o cabelo e fazer a barba dentro do hospital”, relatou. Agora no g1 Segundo informações divulgadas pelo Hospital Central, Ilton chegou à unidade em estado grave, com comprometimentos respiratórios e funcionais, e precisou de cuidados intensivos. Durante a internação, passou por exames e avaliações de diferentes especialidades até receber o diagnóstico de apneia do sono. LEIA TAMBÉM: Variações no horário de dormir podem aumentar risco de apneia do sono e hipertensão, mostra estudo O quadro respiratório exigiu acompanhamento especializado e a realização de uma traqueostomia. De acordo com o hospital, ele também precisou de uma sonda nasoenteral para receber alimentação. A internação prolongada levou à perda de massa muscular, condição chamada de sarcopenia, que compromete a força e a capacidade de realizar movimentos. A recuperação envolveu fisioterapia motora e respiratória, fonoaudiologia, nutrição e acompanhamento psicológico, além de avaliações médicas especializadas. Segundo o Hospital Central, a fisioterapia contribuiu para a retomada da caminhada, enquanto a fonoaudiologia atuou na recuperação da fala e da capacidade de engolir os alimentos. Por que a internação prolongada afeta os músculos? A médica pneumologista Marina de la Cruz, do Hospital Universitário Júlio Müller, explica que a perda de massa muscular pode ocorrer em pacientes que passam muito tempo internados, especialmente quando ficam acamados e deixam de movimentar o corpo. A fisioterapia tem papel importante nesse processo, inclusive durante a permanência do paciente em setores de cuidados intensivos. “A equipe de fisioterapia tem um papel central, porque trabalha evitando a perda de massa muscular tão pronunciada. Então, quando o paciente está num setor crítico, trabalha-se a musculatura para evitar que haja uma perda tão excessiva”, afirmou. A recuperação também depende do trabalho integrado de diferentes profissionais, que atuam em etapas importantes da reabilitação. Além da fisioterapia, Marina destaca a participação das equipes de fonoaudiologia, com trabalhos relacionados à respiração, e nutrição no cuidado com o paciente. “A equipe de nutrição também é uma peça-chave, porque calcula o balanço energético do paciente e verifica quanta proteína a mais pode dar para que o músculo seja beneficiado, quantas calorias a mais esse paciente pode receber”, explicou. No caso de Ilton, a alta ocorreu em 4 de setembro, após mais de três meses de internação. Ele deixou o hospital usando um aparelho chamado BiPAP, que auxilia a respiração por meio de uma máscara, e com um plano de continuidade do tratamento na cidade de origem, conforme informou a unidade. De volta à rotina Atualmente, Ilton mora em uma chácara a cerca de 50 km de São Félix do Araguaia e continua seguindo as orientações dos profissionais de saúde. Ao relembrar o período no hospital, o professor destacou o apoio recebido durante a recuperação. “A assistência que recebi, o cuidado de todos, desde a pessoa da limpeza até o último grau, foram 100%. Eu fui tratado como se estivesse em casa. Minha confiança e respeito por toda equipe nesses meses me deram vontade de lutar para me recuperar”, disse. Mesmo após os desafios enfrentados durante a internação, Ilton mantém uma perspectiva positiva sobre o futuro. Ele diz que pretende continuar avançando na recuperação. “Hoje estou bem melhor! Já consigo dirigir o carro e fazer pequenas caminhadas. Estou morando em minha chácara. Sigo confiante na minha recuperação”, concluiu. O professor de Matemática Ilton Pimentel ficou internado no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso por mais de 100 dias Hospital Central